A Geração Z, formada por jovens que nasceram a partir da segunda metade dos anos 1990, cresceu conectada. Celulares, redes sociais, acesso instantâneo à informação e estímulos constantes fazem parte do cotidiano desses estudantes. Mas essa hiperconexão, somada à pressão por desempenho escolar e preocupação com o futuro, tem cobrado um preço alto: a saúde emocional.
Segundo a professora e psicopedagoga Carine Conte, o excesso de comparação nas redes sociais, a busca por padrões de sucesso e o medo de fracassar têm impactado profundamente o bem-estar dos adolescentes.
“Muitos alunos se sentem insuficientes, mesmo dando o seu melhor os resultados podem não aparecer e muitos não sabem lidar com essa frustração. Essa sensação pode prejudicar a autoestima e aumentar os níveis de estresse e ansiedade, prejudicando resultado em provas que normalmente fariam de forma tranquila”.
Não é difícil encontrar estudantes passando horas em frente às telas, seja navegando pelas redes, assistindo vídeos ou jogando online, e, ao mesmo tempo, com dificuldade para se concentrar em uma leitura ou tarefa da escola.
“O uso excessivo da tecnologia pode gerar distração, roubar o tempo de estudo e causar fadiga mental”, alerta Carine.
Além disso, o hábito de dormir tarde e ter poucas horas de sono é comum entre os jovens, o que interfere diretamente na disposição e na capacidade de aprendizado.
A boa notícia é que desacelerar não significa abandonar os estudos. Pelo contrário: reservar momentos de pausa e descanso pode melhorar a concentração, estimular a criatividade e aumentar a motivação.
“Estudos com pausas programadas, atividades prazerosas, práticas esportivas e até mesmo momentos de ócio criativo, como ouvir música ou desenhar, são fundamentais para manter o equilíbrio entre mente e corpo”, destaca a especialista.
Escola e família
Carine defende que pais e professores têm papel essencial na construção de um ambiente mais acolhedor. Isso inclui valorizar o esforço, e não apenas os resultados, e ajustar as expectativas de forma realista, respeitando o tempo e o ritmo de cada aluno.
“O segredo está no equilíbrio. Estudo, descanso, lazer, sono de qualidade e tempo com a família e amigos devem fazer parte da rotina. Quando esse equilíbrio é respeitado, o desempenho melhora e a saúde emocional é preservada”, conclui Carine.
Um ponto importante é manter uma rotina de entretenimento familiar, como ir ao teatro ou cinema juntos, momentos de lazer como jogos de tabuleiro ou caminhadas, ou simplesmente uma boa conversa.